sábado, 20 de setembro de 2008

Sem Sentido


Sem Sentido

escrito em 30/Maio/2008

Eu me encolho e fecho os olhos para não ver o mundo.
Não suporto mais ver o câncer da bobagem devorando as células do intelecto humano.
Eu tapo meus ouvidos para não ouvir.
O barulho indefinido que ecoa pelas ruas é mais audível que as palavras bobas que insistimos em roer como um cão faz com seu osso.
Eu fecho minha boca e me silencio.
Já não querem mais ouvir o que eu tenho a dizer. Palavras doces saem da minha boca, mas se tornam o puro sal nos seus ouvidos.
Eu tapo meu nariz pra não sentir o cheiro podre da alma humana.
Eles levam consigo a impureza dos seus corpos quando se banham na lama do pecado.
Eu cerro meus punhos para não aceitar de mãos abertas o que me oferecem.
São coisas insanas.

Furem meus olhos.
Estourem meus ouvidos.
Cortem minha língua.
Fechem meu nariz.
Decepem minhas mãos.
Assim talvez eu possa ser verdadeiramente feliz.

[Wanderson Sousa Kubrick]

Perdido


Perdido

escrito em 23/Maio/2008

Me sinto estranho.
Definitivamente eu não estou bem.
O que estaria acontecendo comigo?
Alguém poderia me dizer? Eu não sei...
Será que alguém é capaz de decifrar meus medos e inseguranças, desembaraçar as linhas da minha mente e desvendar os pontos de interrogação que me atormentam?
Eu preciso disso. Urgente.
Um buraco negro se abriu sob meus pés, e ele suja todo sentimento de felicidade que ainda restava em mim, ele suga todas as cores. Tudo fica cinza.
Vejo fantasmas que me observam na parede, no fundo do copo, no espelho. Eles chamam pelo meu nome. Para onde querem me levar? O que querem comigo?
Isto é absolutamente interessante, a experiência sombria a que eu estou acometido me leva a desiludir uma a uma a ilusão dos meus sonhos.
As trevas me seduziram, mas eu estou desistindo.
Preciso da luz.
Quem vai me ascender uma?
Eu preciso disso. Urgente.

Tem alguém aí?

[Wanderson Sousa Kubrick]

O Palhaço


O Palhaço

escrito em 21/Maio/2008

Palhaços, essas criaturas fofinhas cheias de cores, com sorrisos largos e alegres, rostos cobertos de maquiagens coloridas que lembram o maravilhoso mundo das fantasias. Os palhaços divertem, alegram crianças pequenas e crianças crescidas (os adultos) em toda parte do mundo, é isso que eles fazem.
É isso que os palhaços fazem para ganhar dinheiro, sustentar suas famílias, esse é o seu trabalho, fazer as pessoas rirem.
Certo.
Mas o que ninguém sabe sobre os palhaços é...
E depois do show?

"O palhaço espera ansioso a sua vez. Atrás das cortinas vermelhas do velho circo itinerante o palhaço pode ouvir o apresentador anunciando sua entrada. Ele consegue ouvir ainda o grito de euforia da platéia. As cortinas se abrem, o palhaço entra. Velhos e crianças esperam com ansiedade, seus olhares fixos se concentram naquele homem estranhamente vestido, com maquiagem por todo o rosto e cabelos coloridos. A ansiedade logo vira alegria, quando em cada ação cômica aquele estranho ser faz a platéia soltar o riso. O show termina. Ele fez o seu trabalho.
O palhaço então se retira, caminha pelos bastidores do velho circo, observa um grupo de jovens ansiosas ginastas se preparando para a vez, ele encontra a porta de saída, lá fora é frio, a lua está cheia. O palhaço retira do bolso uma carteira de cigarro, puxa um isqueiro e ascende. Um sopro de fumaça sai de sua boa, ele olha pro céu e uma lágrima escapa de seus olhos, borrando a maquiagem. O palhaço fez muitas pessoas rirem aquela noite.
Mas ele chora. Nunca foi feliz
É apenas um trabalho, como qualquer outro.
A sobrevivência."

[Wanderson Sousa Kubrick]

Ninguém


Ninguém

escrito em 14/Maio/2008

“Hoje nós estamos sujos, e não somos ninguém.
Amanhã estaremos limpos e não seremos alguém.
O corpo se lava por fora, mas não por dentro.
Sabonetes de luxo não limpam a alma.
Hoje nós estamos sujos,
somos mais carniça do que carne”.

[Wanderson Sousa Kubrick]